IA nas empresas brasileiras: o abismo entre discurso e adoção
72% das empresas brasileiras ainda estão no início da adoção de IA e só 13% das que têm 10+ funcionários usam. Por que o Brasil fala mais de IA do que usa — e o que fazer com isso.
Todo mundo no Brasil está “usando IA”. Só que não. 72% das empresas brasileiras estão no início da adoção de IA, segundo a pesquisa da Brivia publicada pela Exame. E entre empresas com 10 ou mais funcionários — ou seja, empresas que já têm estrutura, orçamento e gente para fazer isso direito — só 13% de fato usam IA, de acordo com o CETIC.br TIC Empresas 2024, citado na mesma reportagem.
Passei duas décadas construindo busca enterprise antes de fundar a Arvor. Vi esse filme antes: toda tecnologia nova passa por um período em que todo mundo fala dela em painel de evento e quase ninguém a coloca em produção de verdade. Com IA generativa e agentes, o hiato é ainda mais gritante, porque o custo de “brincar” com a tecnologia caiu para quase zero — qualquer analista abre um ChatGPT e sente que “a empresa já usa IA”. Só que usar uma ferramenta em uma aba do navegador não é a mesma coisa que ter IA rodando dentro do processo de negócio, com dado da empresa, governança e resultado mensurável.
Esse é o abismo que os números da CETIC.br escancaram. Não é falta de interesse. É falta de execução.
O discurso já correu na frente
O interessante é que ninguém no C-level duvida mais que isso importa. 88% dos executivos acreditam que a IA será o principal motor de competitividade até 2030, segundo estudo da IDC em parceria com a Microsoft. A crença está formada. O orçamento também está se movendo: a IDC projeta US$ 4,2 bilhões em investimento em IA no Brasil só em 2026, via reportagem da Ideas Hub.
Ou seja: dinheiro entrando, convicção alta, adoção real baixíssima. Essa combinação é exatamente o padrão que precede ou um salto de produtividade real, para quem sair na frente, ou uma pilha de projetos de IA abandonados depois do piloto — que é o destino mais comum quando a empresa compra ferramenta sem repensar processo.
Por que a adoção trava
Na prática, o gargalo quase nunca é o modelo. É o resto: dado espalhado em silos sem estrutura para virar contexto confiável, ausência de alguém no time que saiba desenhar onde um agente entra no fluxo de trabalho sem virar um brinquedo caro, e a falta de uma camada de memória que faça o sistema aprender com o histórico da empresa em vez de responder do zero toda vez.
Empresa que resolve isso vira parte do grupo pequeno que sai do “início da adoção” para produção real. Empresa que não resolve continua comprando licença de ferramenta e declarando “estamos usando IA” em relatório de board, enquanto o número de uso efetivo mal sai do papel.
Isso não é peculiaridade brasileira. É o padrão em qualquer mercado onde a curva de expectativa sobe mais rápido que a curva de capacidade técnica instalada. A diferença é que, no Brasil, o hiato entre 88% de convicção executiva e 13% de uso real com estrutura é grande o bastante para virar vantagem competitiva de verdade para quem atravessar primeiro — e ficar mais caro de fechar a cada trimestre que passa sem agir.
O que a Arvor está construindo nisso
A gente não está aqui para vender hype de IA para o mercado brasileiro. Estamos construindo a infraestrutura que faz a diferença entre “instalei uma ferramenta de IA” e “tenho um sistema de agentes rodando dentro da minha operação, com memória e governança”. É o que fazemos na consultoria agêntica e no BRAIN MAKER, nosso serviço de construção de cérebros corporativos — a camada de memória estruturada que falta na maioria dos projetos de IA que travam depois do piloto.
Se sua empresa está nos 72% que ainda não saíram do início, ou nos 87% que ainda não usam IA de verdade apesar de ter estrutura para isso, fala com a gente. O abismo entre discurso e adoção só fecha para quem trata IA como projeto de engenharia, não como slide de apresentação.