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Memento: a memória que não mora na nuvem de ninguém

Apresentamos o Memento: memória local-first para humanos e agentes. Ingere conversas, notas e vaults Obsidian numa memória consultável com proveniência — nada exposto à rede por padrão.

Leonardo Dias mementoopen-sourcememoria

Passei duas décadas construindo motores de busca para outras pessoas guardarem e encontrarem o que sabiam. Solr na Catho, depois Semantix. O trabalho difícil nunca foi indexar documento — foi decidir o que é fato e o que é ruído, e provar de onde veio cada resposta. Esse problema não desapareceu com os LLMs. Ficou pior, porque agora é trivial um agente inventar uma memória com muita confiança e nenhuma prova por trás.

Por isso estamos começando o Memento hoje, 26 de fevereiro. É um motor de memória local-first para humanos e para os agentes que trabalham com eles: ingere suas conversas, notas, documentos e o seu vault do Obsidian, e transforma isso numa memória que você realmente consegue consultar — com proveniência, não com vibe.

Local first, de verdade

Memento roda na sua máquina. Seus dados não sobem para um servidor nosso, ou de ninguém, por padrão. Isso não é frase de marketing de privacidade — é a arquitetura. Se você trabalha com contratos, prontuários, código proprietário ou qualquer coisa que não pode vazar, a memória do seu agente também não pode.

Passei anos vendendo — e construindo — busca enterprise (Itaú, Magazine Luiza, Vivo, Petrobras) onde a primeira pergunta de qualquer arquiteto de segurança era “onde ficam os dados”. Memento responde isso antes de perguntarem: no seu disco.

Proveniência acima de vibe

A segunda regra é mais chata de engenheirar e mais fácil de pular: toda resposta que o Memento entrega carrega de onde veio. Qual conversa, qual arquivo, qual data. Um agente que “lembra” de algo sem apontar a fonte está adivinhando, não recuperando. Depois de duas décadas ajustando relevância em Lucene, sei bem a diferença entre um resultado bom e um resultado convincente — não são a mesma coisa. Memento é construído para entregar o primeiro.

Seguro por padrão

Nada fica exposto à rede a menos que você decida expor. Sem porta aberta por padrão, sem telemetria mandando seu conteúdo pra fora, sem “recurso de conveniência” que amplia silenciosamente a superfície de ataque. Seguro por padrão significa que o caminho fácil é o caminho seguro — não uma opção que você precisa lembrar de ativar depois.

O que ele já importa — e por que isso importa para a Arvor

Memento já importa sessões do Claude Code e do Codex, exports do ChatGPT, exports de conversas do WhatsApp, Apple Notes e vaults inteiros do Obsidian. A ideia é simples: seu histórico de trabalho com IA — e boa parte da sua vida — já existe, espalhado em meia dúzia de formatos diferentes, cada um com sua própria estrutura, seus próprios timestamps, sua própria bagunça. O Memento junta isso num lugar que você controla, um lugar que seus agentes conseguem consultar de verdade em vez de alucinar contexto que nunca existiu.

É a mesma lição que aprendi indexando currículo e vaga na Catho e depois ajustando relevância em escala na Semantix: dado bruto espalhado não vira conhecimento sozinho, alguém tem que desenhar o pipeline de ingestão, a normalização e o índice certo — e assumir que vai errar até acertar. Memento assume isso desde o design.

Por isso Memento é a engine por trás do BRAIN MAKER, o serviço da Arvor para construir cérebros pessoais e corporativos — memórias estruturadas que agentes de verdade conseguem usar, com uma fonte por trás de cada resposta. Não é mais uma linha no roadmap. É a peça que decide se um agente é útil ou se é só mais um gerador de texto convincente e errado.

Estamos no início do projeto, começando hoje. O que vem a seguir é abrir mais formatos de ingestão e deixar a arquitetura de proveniência auditável por quem quiser olhar debaixo do capô. Se você constrói agentes e já sentiu na pele o problema de uma memória que “lembra” errado, ou quer conversar sobre como aplicar isso na sua empresa, fala com a gente na consultoria agêntica.