Nasce o AMIGO: IA pessoal deveria custar centavos, não assinatura
Em 9 de julho de 2025 nasceu o AMIGO. A tese: por que pagar mensalidade fixa por uma IA que você usa de forma irregular? Registro do início de um app multi-assistentes com voz e economia por uso.
Hoje comecei o AMIGO. O primeiro commit está no repositório, com timestamp, e vai ficar lá para sempre — não porque eu precise provar nada a ninguém, mas porque registro é bom hábito. Ideia sem data de nascimento é ideia que ninguém consegue rastrear depois.
A tese que me trouxe até aqui é simples e me persegue há anos: por que uma IA pessoal cobra assinatura fixa? Pago o mesmo em janeiro, quando mal abro o app, e no mês em que uso para resolver dez problemas seguidos. Isso não é preço, é aposta da empresa vendedora de que a média de uso vai cobrir os extremos. Ótimo para quem vende. Ruim para quem usa e, mais importante, ruim como modelo de negócio de longo prazo para quem constrói de verdade.
Vinte anos entendendo o custo de uma consulta
Passei de 1999 a 2012 na Catho construindo e sendo dono dos motores de busca de vagas e currículos da empresa, em Apache Solr e Lucene — tuning de relevância, sinônimos, um time multidisciplinar de 13 pessoas reportando direto à presidência. De 2010 a 2022 fui cofundador e Chief Data Officer da Semantix, que chegou a gerenciar petabytes de dados e bilhões de transações por mês, e que listou na NASDAQ em 2022 sob o ticker STIX — uma das primeiras deep techs latino-americanas a fazer isso.
Nesse meio tempo, botei busca em produção em lugares que não perdoam erro de arquitetura: Magazine Luiza, Itaú, Vivo, Petrobras, a base de 70 milhões de documentos da DoiNet, o motor de recomendação de notícias do G1/Globo.com rodando sobre Hadoop. Cada um desses sistemas processa um volume de consultas por segundo que só se sustenta financeiramente se o custo marginal de cada busca for centavos, não dólares.
Duas décadas nessa vida ensinam uma coisa que a indústria de IA generativa parece ter esquecido: toda consulta tem custo marginal. Buscar, indexar, inferir — isso custa centavos, não dólares, quando a arquitetura é bem pensada. A conta de uma assinatura mensal de IA raramente reflete esse custo real. Ela reflete o que o mercado está disposto a pagar sem perguntar.
Um assistente não basta
A segunda parte da tese: ninguém quer “um” assistente de IA. As pessoas querem especialistas. Um para revisar contrato, outro para pensar estratégia, outro para simplesmente bater papo sem julgamento. Modelo único, prompt genérico, personalidade neutra — isso já era o mínimo viável de 2023. O AMIGO nasce com a ideia de múltiplos assistentes especializados dentro do mesmo app, cada um com sua própria voz — literalmente, com fala — e sua própria função.
Sinapses, não assinatura
Por isso o AMIGO nasce com um modelo de sinapses: você paga pelo que usa, não pelo direito de usar. Isso muda a relação com a ferramenta. Você não sente culpa por não ter aberto o app essa semana. Você não sente que está pagando por inteligência que não gastou. É pay-as-you-go aplicado a cognição, e é assim que acredito que a IA pessoal vai se popularizar de verdade — quando custar centavos por interação, não uma mensalidade fixa que ninguém questiona.
O que a Arvor está apostando
O AMIGO é o primeiro produto de consumo da Arvor e carrega a tese que guia tudo o que construímos aqui: agentes especializados, custo alinhado a uso real, arquitetura pensada para escalar sem virar assinatura genérica. Se sua empresa quer pensar em IA agêntica com essa mesma disciplina de custo e especialização, fale com a gente pela consultoria agêntica da Arvor.
Atualização: O AMIGO saiu do repositório privado e virou aplicativo em produção — iOS, Android e Web — com um marketplace de assistentes especializados que qualquer pessoa pode usar. A tese de sinapses segue de pé: você paga pelo que consome, não pelo direito de ter acesso.